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O que podemos aprender com as grandes casas de moda sobre imagem e posicionamento?

Writer: Bárbara Mendonça
Bárbara Mendonça
12 minutes ago
4 min read
O que podemos aprender com as grandes casas de moda sobre imagem e posicionamento?

O que faz com que reconheçamos uma marca mesmo quando não vemos o seu nome? Por vezes, basta uma textura, uma silhueta ou um detalhe para percebermos o posicionamento.


Pensemos em casas como a Bottega Veneta, a Chanel ou a Hermès. Cada uma construiu, ao longo do tempo, uma identidade que vai muito além dos produtos que apresenta. As suas escolhas estéticas, os valores que transmite e a experiência que proporciona contribuem para uma imagem reconhecível.


Mas o que podemos aprender com estas marcas sobre a nossa própria imagem? Na imagem pessoal e profissional, tal como no universo da moda, o posicionamento não depende apenas da aparência. Constrói-se através de escolhas consistentes, da forma como comunicamos e, sobretudo, da correspondência entre aquilo que mostramos e aquilo que os outros experienciam.


Há quatro lições particularmente interessantes que podemos retirar destas grandes casas de moda.


1. Bottega Veneta: uma identidade forte não precisa de um logótipo


Nem sempre precisamos de dizer quem somos para sermos reconhecidos. Na Bottega Veneta, o Intrecciato, uma técnica de entrelaçado de pele introduzida em 1975, tornou-se uma das assinaturas mais reconhecíveis da marca.


O interessante é que a identidade está presente na própria construção do produto, o detalhe não é apenas decorativo: faz parte da linguagem da casa. E o que nos ensina este exemplo sobre a nossa imagem?

Que uma identidade reconhecível nasce da consistência.


A forma como nos vestimos, os materiais que escolhemos, a maneira como comunicamos ou a atenção que damos aos detalhes podem tornar-se elementos distintivos. Não significa usar sempre as mesmas peças ou manter uma imagem imutável significa que, mesmo perante escolhas diferentes, existe um fio condutor que permite reconhecer quem somos.


A consistência não exige repetição, mas sim coerência. E é essa coerência que, ao longo do tempo, contribui para uma imagem mais clara e reconhecível.


2. Chanel: a imagem deve acompanhar a vida, não complicá-la


Em 1926, um vestido preto Chanel apresentado na Vogue americana tornou-se uma referência na história da moda. O preto já fazia parte do vestuário feminino, a relevância daquela proposta estava também na simplicidade, na versatilidade e na possibilidade de adaptar a mesma peça a diferentes momentos através dos acessórios.


Mais do que uma escolha estética, o vestido respondia a uma forma de viver. Esta ideia continua particularmente atual quando pensamos na construção de uma imagem pessoal e profissional.


Uma imagem cuidada não deve existir apenas para causar uma boa impressão. Deve fazer sentido para a pessoa que a usa. O contexto profissional, as atividades do dia, o conforto, a liberdade de movimentos e a própria personalidade são fatores que devem entrar nessa equação. Um coordenado pode ser visualmente interessante e, ainda assim, não responder às necessidades de quem o veste.


É por isso que a adequação é tão importante quanto a estética. A melhor escolha não é necessariamente a que chama mais a atenção, mas aquela que comunica de forma coerente sem comprometer a autenticidade e o conforto.


3. Hermès: o posicionamento não termina na primeira impressão


Uma boa apresentação pode despertar interesse. Mas o que acontece depois?

A Hermès oferece serviços de manutenção e reparação para diferentes categorias de produtos, prolongando a relação com os objetos para além do momento da compra.


É um exemplo interessante de como o posicionamento de uma marca também se manifesta na experiência que proporciona. Na imagem pessoal e profissional, esta relação é igualmente importante. Podemos transmitir uma imagem de rigor, organização e atenção ao detalhe, mas, se essa imagem não se refletir na forma como respondemos a um pedido, cumprimos um compromisso ou lidamos com um imprevisto, a perceção inicial pode perder força.


O mesmo acontece com as empresas...Uma identidade visual cuidada cria expectativas, mas são as interações, os comportamentos e a qualidade da experiência que ajudam a sustentá-las. A imagem cria uma expectativa, a experiência confirma-a ou contradiz-a. É nesta correspondência que se constrói a credibilidade.


4. O que todas estas marcas nos ensinam: evoluir sem perder a identidade


As grandes casas da moda atravessam diferentes épocas, apresentam novas coleções e adaptam-se a contextos em mudança. No entanto, a continuidade da sua identidade depende também da capacidade de reconhecer aquilo que merece ser preservado.


Este equilíbrio entre evolução e coerência é uma aprendizagem importante para profissionais e empresas.

A nossa imagem não tem de permanecer igual ao longo da vida. Pelo contrário, deve acompanhar as mudanças pessoais, profissionais e as novas responsabilidades. Mas evoluir não implica seguir todas as tendências ou alterar constantemente a forma como nos apresentamos, mas sim fazer escolhas conscientes.


Antes de adotar uma nova tendência, alterar a forma de comunicar ou transformar a forma como nos apresentamos, vale a pena perguntar: Esta escolha reforça aquilo por que quero ser reconhecido?

A resposta pode ajudar a distinguir uma mudança com significado de uma escolha feita apenas por influência do momento.


E na tua imagem, o que gostarias que os outros reconhecessem?


Depois de observarmos estes exemplos, fica um exercício simples que pode ajudar a refletir sobre a nossa própria imagem e posicionamento. Começa por identificar uma qualidade pela qual gostarias de ser reconhecido no seu contexto pessoal ou profissional. Pode ser o rigor, a criatividade, a proximidade, a confiança ou a atenção ao detalhe. Depois, observa de que forma essa qualidade se torna visível:

  • A tua apresentação está alinhada com aquilo que pretendes comunicar?

  • A forma como comunicas reforça essa perceção?

  • Os teus comportamentos confirmam a impressão que transmite?


Por fim, identifica uma pequena mudança que possa aproximar a tua imagem daquilo que pretendes representar. Construir uma identidade não significa criar uma personagem, mas encontrar uma forma de expressão que seja coerente com quem somos, com o que fazemos e com a experiência que proporcionamos aos outros.


Tal como acontece com as grandes casas de moda, uma imagem reconhecível constrói-se ao longo do tempo e torna-se verdadeiramente credível quando aquilo que comunica se confirma na experiência.

 
 
 

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