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Estilo pessoal: porque nem todas as roupas funcionam em nós

Writer: Bárbara Mendonça
Bárbara Mendonça
11 minutes ago
5 min read
looks para imagem profissional de voltar à rotina imagem não tira férias com acessórios, calçado e bijuteria

Já te aconteceu veres alguém com uma peça de roupa, adorares o resultado e, quando experimentas algo semelhante, perceberes que em ti simplesmente não funciona da mesma forma?


É uma situação muito comum e nem sempre significa que há alguma coisa errada com a peça, com o teu corpo ou que existem pessoas a quem, simplesmente, “tudo fica bem”. Na verdade, quando olhamos para alguém e gostamos daquilo que vemos, raramente estamos a reagir apenas à roupa. Estamos a observar um conjunto: as proporções, a combinação das peças, as cores, os acessórios, o cabelo, a forma como o look foi construído e até a naturalidade com que aquela pessoa o veste.


É precisamente por isso que reproduzir um look que adorámos noutra pessoa nem sempre nos dá o resultado que imaginávamos.


O que gostamos num look nem sempre é aquilo que pensamos


Eu gosto muito de procurar referências. Podem surgir na moda, na rua, em viagens, nas pessoas com quem me cruzo ou simplesmente numa imagem que guardo porque há qualquer coisa que me chama a atenção. As referências são uma ferramenta muito interessante para desenvolvermos o nosso estilo pessoal. O problema começa quando tentamos reproduzi-las literalmente, em vez de percebermos o que nos atrai realmente nelas.


Imagina que guardas uma fotografia porque adoras uma determinada saia... Ao observares melhor, talvez percebas que aquilo que te chamou a atenção não foi propriamente a saia, mas a proporção que ela cria com um casaco mais curto. Ou talvez seja uma combinação de cores que nunca tinhas pensado experimentar, uma mistura de texturas, uma camisa usada de uma forma diferente, um contraste entre uma peça mais clássica e outra mais descontraída ou simplesmente um acessório que transforma todo o conjunto.


Quando conseguimos identificar aquilo que verdadeiramente nos inspira, deixamos de procurar uma cópia e começamos a encontrar formas de trazer essa ideia para o nosso próprio guarda-roupa. E é aí que a inspiração se torna realmente útil.


Porque é que a mesma roupa fica diferente em pessoas diferentes?


O mesmo look dificilmente terá exatamente o mesmo resultado em duas pessoas.

A altura, as proporções do corpo, o cabelo, o tom de pele e outras características individuais influenciam a forma como uma peça é percebida e como se relaciona com o restante conjunto e até pequenos detalhes podem fazer uma diferença enorme.


Uma camisa usada por dentro ou por fora das calças, a altura de uma bainha, o comprimento de um casaco ou o ponto onde termina uma camisola podem alterar significativamente as proporções visuais de um look. Por isso, quando experimentas uma peça inspirada em alguém e sentes que “não funciona”, isso não significa necessariamente que essa peça não seja para ti, talvez precise apenas de ser usada de outra forma.


Estilo pessoal também é personalidade


Há ainda outro elemento que, para mim, é tão importante como as proporções: a personalidade.

Podemos vestir uma peça que assenta perfeitamente e que, teoricamente, nos favorece e, ainda assim, sentir que não somos nós. É aquela sensação de estarmos bem, mas de alguma forma disfarçados e isso costuma ser um bom indicador de que estamos a tentar reproduzir uma imagem em vez de a interpretar.


Podes admirar um estilo muito minimalista e não te sentires particularmente bem quando te vestes dessa forma, podes gostar de ver looks muito exuberantes noutras pessoas e preferir uma abordagem mais simples quando chega a tua vez de te vestires. Uma coisa não invalida a outra.

Nem tudo aquilo que achamos bonito precisa de passar a fazer parte do nosso estilo.


5 formas de transformar inspiração em estilo próprio


1. Percebe o que te chamou realmente a atenção


Antes de procurares uma peça igual àquela que viste, tenta perceber exatamente aquilo de que gostaste.

Foi a cor? O corte? A combinação? A proporção? O contraste entre as peças? Os acessórios? A forma como o look foi finalizado? Quanto mais específica for a resposta, mais fácil será reproduzir a ideia sem precisares de reproduzir a roupa.


Podes descobrir, por exemplo, que não precisas daquela saia específica. Talvez apenas queiras experimentar a combinação entre uma peça mais fluida e outra mais estruturada.


2. Adapta as proporções a ti


Antes de decidires que uma peça não funciona contigo, experimenta usá-la de formas diferentes.

Coloca a camisa parcialmente por dentro das calças, experimenta dobrar as mangas, testa outro comprimento de casaco, ajusta uma bainha, muda o calçado... Às vezes, alguns centímetros são suficientes para alterar completamente a leitura de um conjunto.


O objetivo não é seguir regras rígidas sobre aquilo que “favorece” ou não favorece o teu corpo, mas perceber quais são as proporções com que te sentes melhor e que criam o resultado que procuras.


3. Experimenta primeiro com aquilo que já tens


Quando encontramos uma referência de que gostamos, é muito fácil pensar imediatamente naquilo que precisamos de comprar para recriá-la, mas experimenta fazer o contrário. Abre o teu guarda-roupa e procura peças que te permitam interpretar a mesma ideia.


Se gostaste de um look pela combinação de bege com vermelho, talvez já tenhas essas duas cores, se gostaste da mistura entre alfaiataria e ténis, talvez consigas experimentar essa lógica com um blazer que já usas, se foi uma determinada proporção que te chamou a atenção, testa-a com peças semelhantes.


Além de ajudar a evitar compras desnecessárias, este exercício é uma excelente forma de descobrires novas combinações e de dares mais uso à roupa que já tens.


4. Não ignores a tua personalidade


Nem tudo aquilo que admiramos nos representa. Podemos gostar de observar um estilo romântico, clássico, minimalista, irreverente ou muito exuberante sem que isso signifique que queremos vestir-nos dessa forma todos os dias. Pergunta-te: consigo imaginar-me realmente a usar isto?


Não apenas numa fotografia ou numa ocasião específica, mas na tua vida, na tua rotina e nos contextos em que normalmente te moves. A resposta ajuda a distinguir aquilo que simplesmente aprecias daquilo que pode efetivamente fazer parte do teu estilo pessoal.


5. Usa referências para experimentar, não para copiar


Guarda imagens, observa pessoas, repara naquilo que vês na rua, acompanha marcas e tendências que te interessam, mas encara tudo isso como um ponto de partida.


Quanto mais referências tiveres e, sobretudo, quanto mais experimentares, mais fácil será começares a reconhecer padrões, talvez percebas que guardas frequentemente looks com determinadas cores, que gostas de volumes específicos, que tens preferência por linhas mais simples ou que te atraem sempre conjuntos com algum elemento inesperado.


Esses padrões dizem muito mais sobre o teu estilo do que uma única peça ou tendência.


Da inspiração para o teu guarda-roupa


Da próxima vez que guardares uma fotografia como inspiração, experimenta mudar a pergunta.

Em vez de pensares: “Quero este look.” pergunta: “O que é que gosto realmente neste look?”


Depois pensa em que elementos podes transportar para aquilo que já tens e como os podes adaptar à tua forma de vestir. Pode ser uma cor uma proporção, uma textura, uma sobreposição, um acessório, uma combinação que nunca tinhas experimentado.


Não precisamos de vestir exatamente aquilo que admiramos nos outros, na verdade, as referências mais interessantes são aquelas que conseguimos interpretar e tornar nossas. Porque uma das partes mais interessantes de construir um estilo pessoal é precisamente esta: aprender a olhar para os outros como inspiração sem deixarmos de nos reconhecer naquilo que vestimos.

 
 
 

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