Como ajudar os mais novos a construir uma relação saudável com a sua imagem
- Bárbara Mendonça

- Aug 4
- 4 min read
Há uma pergunta que todos os pais deviam fazer a si próprios: Como é que o meu filho aprende a olhar para si com confiança?
À primeira vista, a resposta parece simples, mas, na realidade, começa muito antes de ele escolher a roupa que quer vestir ou de se preocupar com a aparência. Começa nas palavras que ouve em casa, nos elogios que recebe, nas comparações que presencia, na forma como vê os adultos falarem do próprio corpo e nas pequenas frases que, repetidas ao longo dos anos, acabam por moldar a forma como se vê a si próprio.
É precisamente por isso que acredito que educar para a imagem é muito mais do que ensinar uma criança a vestir-se bem... é ajudá-la a construir auto-estima, confiança e uma relação saudável com quem é.
A imagem começa muito antes da roupa
Quando falamos em imagem, é comum pensar em moda, tendências ou aparência, mas a imagem vai muito além disso, pois é a forma como ocupamos um espaço, comunicamos, nos apresentamos ao mundo e, acima de tudo, como nos sentimos connosco próprios.
Ao longo de mais de 15 anos como Consultora de Imagem, tenho acompanhado pessoas que chegam até mim com dificuldades em aceitar determinadas características físicas, medo de se exporem ou a sensação de que nunca conseguem sentir-se suficientemente bem.
Curiosamente, estas inseguranças raramente começaram na idade adulta, na maioria dos casos, nasceram muitos anos antes.
A auto-estima das crianças constrói-se todos os dias
Poucas pessoas se recordam do primeiro elogio que receberam, mas muitas recordam perfeitamente a primeira crítica.
Um comentário sobre o peso, uma comparação, uma observação sobre a roupa ou uma frase aparentemente inocente que ficou gravada durante anos. Na maior parte das vezes, não existe intenção de magoar. Pais, familiares e educadores acreditam estar apenas a orientar, no entanto, quando determinadas mensagens se repetem ao longo do tempo, podem transformar-se em crenças que acompanham a criança até à vida adulta.
É por isso que a auto-estima infantil merece tanta atenção, porque é durante estes primeiros anos que se constrói a forma como cada pessoa aprende a olhar para si.
Vivemos numa geração que cresce perante um espelho… e um ecrã
As redes sociais mostram vidas aparentemente perfeitas, corpos idealizados e filtros que alteram completamente a realidade.
As crianças e os adolescentes crescem rodeados por imagens que, muitas vezes, nem sequer existem fora do ecrã. Sem espírito crítico, é fácil acreditar que aquele padrão é o normal e quando isso acontece, a comparação torna-se quase inevitável.
Mais do que proteger os mais novos das redes sociais, precisamos de lhes ensinar a interpretá-las. Porque a verdadeira confiança não nasce da validação dos outros, nasce da forma como cada um aprende a reconhecer o seu próprio valor.
Como ajudar uma criança a desenvolver uma relação saudável com a sua imagem
Valoriza quem ela é antes daquilo que ela aparenta
Elogia a curiosidade, a empatia, a criatividade, a persistência e o esforço.
Quando a auto-estima assenta apenas na aparência, torna-se muito mais frágil.
Evita comparações
Cada criança tem o seu ritmo, a sua personalidade e a sua forma de comunicar, comparar não motiva.
Na maioria das vezes, apenas faz acreditar que nunca será suficiente.
Dá-lhe espaço para fazer escolhas
Permitir que escolha parte da roupa ou dos acessórios ajuda a desenvolver autonomia, identidade e confiança. Mais importante do que vestir exatamente aquilo que nós escolheríamos é ajudá-la a perceber que a imagem também pode ser uma forma de expressão.
Ensina que diferentes contextos exigem diferentes escolhas
Adaptar a forma de vestir a uma ocasião não significa perder autenticidade.
Significa compreender que a imagem também comunica respeito pelo contexto e pelas pessoas que nos rodeiam.
Conversa sobre aquilo que vê nas redes sociais
Nem tudo o que aparece online representa a realidade. Falar sobre filtros, edição de imagem e padrões de beleza ajuda a desenvolver pensamento crítico e uma relação mais saudável com o mundo digital.
Lembra-te de que és o maior exemplo
As crianças aprendem muito mais através daquilo que observam do que através daquilo que lhes dizemos.
Se crescem a ouvir críticas constantes ao teu próprio corpo, à idade ou à aparência, acabam por aprender que esse também é o caminho.
Por outro lado, quando veem um adulto que se respeita, cuida de si e fala da própria imagem com naturalidade, aprendem que confiança e autenticidade podem caminhar lado a lado.
A melhor herança não cabe num guarda-roupa
Nenhuma criança precisa de um armário perfeito, mas precisa de crescer num ambiente onde aprende que o seu valor não depende da comparação, da validação externa ou de corresponder a um ideal impossível.
Educar para a imagem é, acima de tudo, educar para a confiança, é ensinar que cuidar da imagem não significa viver preocupado com a aparência, mas sim reconhecer que a forma como nos apresentamos também pode ser uma expressão de quem somos.
Essa é uma das maiores heranças que podemos deixar aos mais novos. A capacidade de se olharem ao espelho com respeito, de se apresentarem ao mundo com confiança e de nunca confundirem a sua imagem com o seu valor.




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